Bornéu é a terceira maior ilha do mundo, atrás apenas da Groenlândia e da Ilha de Nova Guiné. Sempre foi meu sonho visitar a ilha por quatros fatores. Primeiro: é um dos poucos lugares onde se pode ser avistado os nossos parentes distantes em seu habitat, o orangotango.

Segundo: em sua floresta encontra a da maior flor do mundo, a Rafflesia Arnoldii, que pode chegar até 1 metro de comprimento. Terceiro: uma de suas frutas típicas é a Durian, que é considerada a fruta com maior odor do mundo (parecido com a nossa jaca). Quarto: a ilha é a casa da destemida tribo Caçadores de Cabeça, de onde vou compartilhar essa história com vocês.

Eu dançando na festa de casamento na tribo

Fevereiro de 2014, depois de passar por 35 voos somente na Indonésia, finalmente chego na Ilha de Bornéu, através de um voo para cidade de Kota Kinabalu na Malásia. A grande ilha tem territórios divididos entre três países: Indonésia, Malásia e brunei. O objetivo desta viagem era visitar a tribo Caçadores de Cabeça. Para chegar no local era preciso seguir um trajeto de barco pelo rio e outro com um trekking pela mata. Essas eram as únicas informações que eu obtinha. O restante, teria que ir na sorte e perguntando para as pessoas que eu achasse no caminho ou se eu encontrasse alguém pela mata (e que não me matasse).

Gosto muito de aventura, da adrenalina, da sensação de perigo e de explorar o desconhecido. Uma coisa eu tenho que confessar, eu não tinha ideia o que havia por vir. Como eu poderia garantir que nada de mal iria acontecer comigo? Mas assim sou eu, arrisquei minha vida inteira, e não poderia perder a oportunidade de conhecer de perto esta tribo que tanto havia visto nos documentários.

Na minha primeira noite em Kota Kinabalu, encontrei no hostel um francês, uma inglesa e uma alemã, que estavam todos viajando separados. Puxei papo com cada um deles e os apresentei um aos outros. Logo, já contei meu plano de conhecer a tribo e felizmente os convenci de sairmos já no outro dia de manhã.

O trajeto para chegar no nosso destino foi difícil. Ao acordarmos, pegamos um ônibus de Kota Kinabalu para Limbang, onde tivemos que passar a primeira noite. No outro dia, tivemos que alugar um carro para nos levar até Medamit, de onde pegamos uma canoa e navegamos no meio da floresta. Depois de horas no rio, chegamos a um lugar onde teria uma trilha que nos levaria até a Tribo dos Caçadores de Cabeça.

Após descermos da canoa, começamos a trilha sob um céu nublado e uma forte neblina. O canoeira logo saiu e de repente estávamos só no meio do desconhecido. Me senti num filme de aventura onde o inesperado estava para acontecer. O que podíamos fazer? Não havia outra solução se não seguir em frente. Logo, adentramos a densa floresta. Cada barulho que a mata fazia, olhávamos uns aos outros com cara de espantado.

Fazendo amizade com os anciões da tribo

Depois de alguns quilômetros de trekking, a floresta começou a abrir e entramos num campo mais limpo. Demos de cara com 3 crianças, que quando nos viram, arregalaram os olhos. Com uma cara amigável, tirei da mochila um pacote de bolacha e dei para eles. Bem tímidos, aproximaram um pouco desconfiados. Estiquei a mão, mais uma vez eles olharam para mim, olharam para a minha mão, pegaram o pacote e saíram correndo alegres. Bem, o primeiro contato foi feito, e espero que tenha sido positivo.

Então alguns homens saíram da “casa longa”, que é um tipo de construção feito onde várias casas são construídas emendadas uma as outras sem parede interna. Não podíamos negar, estávamos bem apreensivos, e se eles fizessem algum mal com a gente? Ninguém nos acharia. Estávamos no meio da floresta na Ilha de Bornéu. Me senti a mercê nas mãos dos chefes da tribo.

Quando os homens aproximaram, pude ver algumas partes dos seus corpos cobertos de tatuagem. Um estilo de tatuagem que eu não havia visto em outro lugar. Então, quando os homens abriram um sorriso verdadeiro insinuando que éramos bem vindos a tribo, toda apreensão caiu por terra abaixo. Ficamos aliviados. Felizmente nesse dia estava acontecendo um casamento na aldeia. Por isso que viajar é muito bom! Que chance tivemos de vivenciar um casamento numa aldeia dos Caçadores de Cabeça.

Entrando no lugar onde todos os membros da tribo estavam, logo já nos deram uma bebida alcóolica local bem forte, comida e nos chamaram para celebrar dançando no modo deles. Senti que a nossa presença alegraram toda festa. Que éramos os convidados especiais. Que povo hospitaleiro! Mas uma vez reforça o que sempre digo. Quando menos uma pessoa possui (bens materiais), mais desprendido ela é.

Igor Galli aprendendo a dança local na festa de casamento

Depois de passarmos algumas horas aprendendo sobre a cultura deles, os líderes da tribo pediram para dançarmos músicas ocidentais. Pronto! Me realizei. Amo dançar. Quando expresso minha alegria através do meu corpo. Fui o primeiro a ir para o centro da roda. Todos os presentes estavam bem tímidos, mas logo fui puxando as mãos de um após outro para me ajuntar. Após umas músicas internacionais, coloquei estilos como forró, salsa e bachata. Todos morriam de rir, de dar gargalhada a cada vez que eu rebolava ou me expressava um pouco mais sensual de acordo com o ritmo. O melhor para eles, era quando eu chamava uma mulher para dançar juntos. Só faltava eles rolarem no chão de tanto rir. As mulheres são muito tímidas na cultura asiática, ainda mais quando é um povo indígena.

Passamos um final de semana inteiro com esses indígenas e como foi proveitoso esta aventura! O conhecimento e a experiência adquirido é completamente sem preço. As lembranças e memórias construídas nesta jornada, serão uma das poucas coisas que levarei comigo desta vida para o desconhecido. Não deixe que a timidez, a vergonha e principalmente o medo te impedir a realizar os seus sonhos nessa sua única vida. O mundo é muito grande para estar em um só lugar. Viaje![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]